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Educação: Que Estado?
por maria joão trindade - quarta, 20 fevereiro 2013, 14:30
 
Relativamente ao que foi dito por David Justino, considero que para além da gratuitidade e obrigatoriedade do ensino básico e secundário se deveria também equacionar a questão do pré-escolar  que deveria  ser sempre assegurada pelo estado.
Concordo com os pontos de tensão identificados, a saber, a organização por ciclos,a formação inicial e profissionalização em exercício e a conceção de exames.

Parece que tanto este orador como Paulo Guinote foram claros quanto aos indícios claros de uma nova cultura escolar e de uma evidente melhoria no nosso sistema de ensino.

No entanto, o relatório do FMI  não transparece estas evidências porque não traduz em números a realidade portuguesa e a evolução do nosso sistema  educativo, desde os anos sessenta do século passado até ao momento presente.

Para mim, não são inocentes estas discrepâncias porque enfermam de uma postura economicista relativa ao ensino.

A educação, como disse Luís Fazenda é uma condição de desenvolvimento e é alimentada por esse mesmo desenvolvimento.
A educação carece definitivamente de um investimento público!


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Re: Educação: Que Estado?
por João Paulo Maia - domingo, 24 fevereiro 2013, 23:43
 
Boa noite, Maria João Trindade 

1) Concordo com um tópico: deveria ser o Estado a assegurar globalmente o chamado ensino pré-escolar. Porquê? Porque: 

a) Há suficientes dados estatísticos que nos permitem inferir que o desenvolvimento cognitivo, afectivo e motor das pessoas é geralmente exponenciado positivamente se estas forem adequadamente estimuladas em idades precoces, nomeadamente, entre os 3 e 6 anos; 

b) Aquilo a que me refiro em a) não é tipicamente conseguido se as crianças pequenas forem educadas apenas em ambiente familiar, apesar deste ser um factor determinante neste segmento étário, mas nao só; 

c) É plausível admitir que seja competência do Estado a minimização de desigualdades sociais, no desempenho do seu papel regular, contribuindo a educação pré-escolar para possibilitar, à partida, acesso a um mínimo demoninador comum que se designa por igualdade de oportunidades. 

2) Um ponto mais discutível será este (embora entenda o que quer dizer): que a visão plasmada no relatório do FMI é uma visão meramente economicista. Porquê? Sucintamente: 

a) Para que a visão seja literalmente económica (é isso que primariamente denotam termos como "economicismo", "economicista", ...), o que geralmente se presume é que (i) há uma primado da economia (discutível, claro), (ii) e que esse primado é justificável porque sem economia saudável, pelo menos a esmagadora maioria das pessoas, em rigor, não vive bem; 

b) Mas se fosse o que no ponto anterior refiro, então teríamos como resultado uma economia nacional e intenacional globalmente pugante. Mas não é isso o que ocorre actualmente. Com efeito, temos contracção da economia no espaço nacional e também no espaço europeu (e a situação não se restringe ao espaço europeu, naturalmente). Logo, (i) se não há crescimento económico, (ii) não há desenvolvimento económico, e se não occorre (ii), então (iii) não pode ocorrer desenvolvimento económico sustentável (que é aquilo que pressuposta e razoavelmente se gostaria de ver implementado). 

c) Dado que apenas as condições (i), (ii) e (iii) expressas no ponto anterior são separadamente necessárias, e talvez conjugadamente suficientes para se observar aquilo é típico de um IDH (Indicador do Desenvolvimento Humano), podemos afirmar com alguma plausibilidade que a visão economicista se deveria designar tão só por visão financeira e especulativa, a qual nao traz realmente bem estar global aos seres humanos. 

3) Por fim, por que razão deve haver investimento público em educação? Porque é tipicamente através da educação, nomeadamente daquela que implica o desenvolvimento de conhecimentos de áreas como as ciências, as artes e a filosofia, pelo menos, que as populações humanas acedem a um IDH interessante, o qual é uma condição necessária para a felicidade dos agentes humanos, apesar de não ser uma condição suficiente. Dito de outro modo: para haver genuíno desenvolvimento humano sustentável, dadas as condições actuais do nosso planeta, não se conhece caminho distinto que não implique uma insistente capacitação dos seres humanos obtida, em grande medida, através da educação que deve universalmente ser disponibilizada aos agentes humanos. É que a educação de qualidade, possibilitada pelo Estado, não é rigorosamente gasto, mas sim investimento: nas pessoas e também na economia, pois claro.  

Cumprimentos, 

João Paulo Maia, Escola Sec. D. João II


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Re: Educação: Que Estado?
por maria joão trindade - terça, 26 fevereiro 2013, 07:50
 
Bom dia João Paulo,
Estamos mesmo de acordo!
Não é uma visão economicista mas sim financeira e especulativa.

E gostei muito da sua afirmação:

" É que a educação de qualidade, possibilitada pelo Estado, não é rigorosamente gasto, mas sim investimento: nas pessoas e também na economia, pois claro. "

Cumprimentos
Mjoão Trindade
EB 2,3 Aranguez

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Re: Educação: Que Estado?
por João Paulo Maia - domingo, 3 março 2013, 18:21
 
Boa tarde, Maria João

Muito obrigado pelo seu feedback. Concordamos que concordamos. sorriso

Cumprimentos, 

João Paulo

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Re: Educação: Que Estado?
por João Paulo Maia - domingo, 3 março 2013, 18:18
 
Em 1) c) deve ler-se "papel regulador" e não "papel regular".