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Educação: Que estado?
por Lurdes Monteiro - terça, 19 fevereiro 2013, 22:27
 
Desafios atuais, desafios futuros e um mundo em constante mudança que exige prioridades de dignificação, de eficiência e de equidade.
Temos de olhar o horizonte e temos de ir além do imediato e de ter estratégias claras, uma cuidada atuação, uma noção rigorosa da realidade e partir da avaliação e correção dos percursos e dos seus resultados.
O desenvolvimento da educação perspetiva-se na formação, na aposta na investigação, numa cultura de iniciativa, de responsabilidade e de cidadania ativa. Impõe-se a expansão, a diversificação, a produtividade, a empregabilidade das novas gerações - um caminho de desenvolvimento pondo as pessoas e os cidadãos em primeiro lugar.
A sociedade obriga a uma cultura de iniciativa e de cidadania ativa!

Lurdes Monteiro - Escola Sec. D.João II - Setúbal
19 de fevereiro 2013
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Re: Educação: Que estado?
por luisa fuzeta - quarta, 20 fevereiro 2013, 11:40
 
Quanto a mim, a questão que se põe na Educação é a mesma que se põe em todas as funções do Estado. Temos Estado para a Educação que queremos ter ?
Tem o Estado atual capacidade reguladora e financeira ( sobretudo financeira ) para suportar a Estrutura que criámos para a Educação ?
Foi referido pelo DR. David Justino ( e nenhum dos oradores o contestou ) que um aluno do ensino superior custava ao Estado 100000€. Ora sabendo que esse aluno pagou em cinco anos de curso mais ou menos 5 ou 6000 euros de propinas, conseguimos ter noção do encargo que isso representa para o Estado.
Como fazer chegar o que pagamos em impostos para fazer face a todas as funções do Estado ?

Luisa Fuzeta - Escola SEcundária D.João II
20 de Fevereiro 2013
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Re: Educação: Que estado?
por João Paulo Maia - quinta, 21 fevereiro 2013, 01:36
 
Parece-me que há aqui problemas prévios: 

1) Há um determinado montante percentual que muitos portugueses, mas não todos, pagam em impostos, e isso está dependente também do chamado PIB e de um indicador de que pouca gente fala - o RNB (rendimento nacional bruto, i.e., a riqueza que efectivamente fica em Portugal); 2) admitindo, para benefício da discussão, que temos uma visão redistributiva da riqueza por parte do Estado, então o montante desses impostos deveria sustentar, pelo menos em grande medida, as chamadas funções sociais do Estado; 3) destas últimas será preciso saber que funções seleccionar. Ora, parece consensual que saúde e educação (os 12 anos de escolaridade obrigatória) deverão fazer parte dessas funções (David Justino estava de acordo com este tópico). 

Admitindo 3), haveria que começar por perguntar apenas isto: que percentagem do PIB ou, alternativamente, do RNB deve ser afectada para a educação e, nomeadamente, para a escolaridade obrigatória de 12 anos? 

Noutra intervenção irei tentar dar conta de números mais precisos sobre os chamados custos médios da formação por aluno, para que se tenha uma noção realista do que está em causa, comparando com as médias de investimento dos países que se situam no nosso espaço econonómico (se estarão ou não no nosso espaço cultural isso parece-me mais difícil de determinar, por razões que poderei avançar, caso haja algum interesse nisso para a discussão). 

João Paulo Maia, ES D. João II
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Re: Educação: Que estado?
por Fernanda Ledesma - quinta, 21 fevereiro 2013, 01:21
 

Alguns dados adicionais para juntar à discussão, não é bem uma síntese, mas alguns estratos do relatório do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre o Estado da Educação 2011, que incide sobre a qualificação dos portugueses, comparada com a situação na União Europeia. Coloco a negro os dados, e a azul os meus comentários.

O crescimento das taxas de pré-escolarização das crianças de 4 e 5 anos nos últimos anos (89% em 2010), aproximando-se das metas europeias para 2020 (95%).  Será que vamos Conseguir?

Relativamente à população escolar estrangeira no distrito de Setúbal é aproximadamente 8,4%. Sendo que Lisboa, Setúbal e Faro apresentam os valores mais altos dos país.

Retenção e desistência  – A taxa de desistência na Península de Setúbal varia entre 4% e 12% em Alcochete.

Desvio etário  – Estamos (Portugal) a melhorar na questão do desvio etário ou seja do aluno estar no ano escolar certo, com a idade adequada.

O que se verifica por exemplo no 12º ano: 45% rapazes e 55% das raparigas estão no 12º ano coma idade certa (17-18), sendo que os restantes alunos já se incluem no desvio etário.

Este estudo conclui que a maioria dos alunos que estão no ano letivo, correspondente à sua idade, geralmente são bons alunos e é para estes que nós, professores ensinamos, ainda não aprendemos a ensinar os que se situam no desvio etário ou pelo menos não aprendemos como devíamos a ensinar e diferenciar para os alunos que não conseguem estar no ano letivo certo, com a idade certa.

Podemos por exemplo observar estes dados.

quadro

No que concerne à educação de adultos recomendo um estudo elaborado por Lucília Salgado que pode ser consultado aqui (http://www.slideshare.net/Maria7y/educao-de-adultos).

Na educação de adultos considerando 25-64 anos – nos últimos anos evoluímos mais do que a União Europeia (EU), mas continuamos num nível muito abaixo.

Adultos – Os processos  de Reconhecimento, validação e certificação de competências a diferença entre as inscrições e os adultos que são que são efectivamente certificados e grande(cerca de metade) – é necessário olhar para os dados .

quadro2

Ensino Superior – 23% dos jovens entre 30 e 34 anos são licenciados, mas o resultado esperado seria 34%, pelo que não atingimos os objetivos.

Relativamente às metodologias, comparando com outros países os nossos os alunos ouvem muito tempo durante o dia e trabalham pouco. Assim, situamo-nos abaixo da média da União Europeia – Estas observação corresponde a um dia completo de aulas.

Neste momento temos um ensino superior a funcionar por competências, com a implementação do modelo Bolonha e no ensino básico e secundários foram suspensas, qual  a sua opinião?

Os dados (figura em baixo) mostram que o corpo docente está envelhecido, tudo indicava que haveria necessidade de professores, por isso apostou-se na formação inicial. Mas, por vários factores como a reorganização da rede, diminuição de alunos, entre outros, fazem com que não se consiga analisar muito bem qual será a real necessidade, como podemos observar na figura a baixo.

quadro 3


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Re: Educação: Que estado?
por Lurdes Monteiro - domingo, 10 março 2013, 20:44
 
Muitos desafios e problemas da mais alta importância que têm de ser estudados e imperioso a definição clara de políticas educativas modernas e eficientes.

 O esforço significativo da escola e dos professores não pode ser separado do esforço  da própria sociedade em dignificar, em valorizar. Afinal, a escola é o centro da vida. 

Acrescento que continuo a achar muito preocupante o abandono, a facilidade com que os alunos desistem, só porque encontraram algumas dificuldades...

Lurdes Monteiro
Esc. Sec. D.João II - Setúbal
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Re: Educação: Que estado?
por Rute Vaz - quinta, 21 fevereiro 2013, 12:31
 
Bom dia
Na verdade não estive presente nesta conferência (confusões horárias!), mas através das intervenções apercebo-me do que se terá tratado.
Relativamente aos "números" referidos pelos colegas não vou manifestar-me, embora os tenha em grande consideração (até porque sou matemática...), estes devem integrar qualquer análise séria e permitem tomar boas/más decisões.
Opto por corroborar a intervenção da colega Lurdes Monteiro e acrescentar que também eu, como todos nós, me sinto diariamente desafiada com todas as novidades que me atropelam e por vezes me "esmagam" e que estas novas gerações aprenderam a absorver, sem digerir...
Acontece que numa sociedade em constante mudança torna-se difícil delinear estratégias a longo prazo sem que estas se tornem obsoletas ou desajustadas. Concordo com a urgência de definir uma estratégia objetiva global, reformulada regularmente com vista a adequar-se às novas tendências... 
E que o "estado" proporcione alguma estabilidade e coerência para a implementação das suas políticas. 
Cumprimentos
Rute Vaz