Caro Jaime,
Obrigado pelo teu contributo. Estou de acordo com as seguintes ideias que apresentas:
1) Deve haver cooperação entre a investigação em educação e, nomeadamente, aquilo que se desenrola no ensino básico e secundário (a que acrescentaria nos "extremos" o designado "pré-escolar" e o próprio ensino superior);
2) Há, porém, alguns modelos teóricos que estão desenhados com um grau de enviesamento que dificilmente os torna genuinamente úteis para quem efectivamente trabalha, por exemplo, nos ensinos básico e secundário;
3) O Professor João Queiroz ao apresentar exemplos (com enfoque nas áreas do Desenho ou da Educação Visual) de como a segmentação do ensino e das aprendizagens pode ser desenvolvida, mostrou como se pode compatibilizar uma educação de qualidade, cujo acesso é, de direito, universal, com genuíno sucesso escolar. Ora, se assim pode ser, reforçou muito positivamente a minha convicção e prática lectiva, e.g., no domínio da Filosofia, contribuindo para melhorar o meu trabalho enquanto docente e, correlativamente, as aprendizagens dos "nossos" alunos. Mais: não é difícil fazer a transposição da metodologia que nos foi sugerida para as disciplinas que leccionamos. Basta, a título de exemplo, citar um caso da minha área: o modo como podemos decompor a aprendizagem do que são argumentos e os modos como se podem detectar eventuais falhas ou erros argumentativos ou, alternativamente, as suas virtudes, colocando alunos em sala de aula a fazer esta tarefa com clara proficiência.
Uma nota suplementar: Será possível ver efeitos práticos do que acabo de explanar, compatibilizando isso também com resultados escolares em testes intermédios e exames nacionais? Parece que sim. Trabalhando em equipa e utilizando algumas das ferramentas que nos foram sugeridas, numa escola como a nossa, em 67 testes intermédios de Filosofia de alunos de três turmas que lecciono (o que pode fornecer, à partida, uma margem de fiabilidade optimizada de pelo menos 95%), obteve-se uma média de 10,6 valores com um desvio padrão de 4,1 (o que aqui apenas mede o grau de discriminação avaliativo utilizado pelo/s corrector/es).
Abraço!
João Paulo Maia
Escola Secundária D. João II